Em uma situação de incêndio, preservar as rotas de fuga é essencial para a segurança dos ocupantes. A pressurização de escadas de emergência é uma solução de engenharia destinada a manter a escada em pressão positiva em relação às áreas adjacentes, reduzindo a entrada de fumaça.
O desempenho do sistema não depende apenas da instalação de um ventilador. É necessário considerar vazão, pressão disponível, perdas de carga, características da edificação, distribuição do ar, abertura de portas, tomada de ar externo, automação e integração com os demais sistemas de segurança.
Por isso, cada instalação deve ser projetada conforme as características da edificação e os requisitos técnicos aplicáveis.
O sistema utiliza ventilação mecânica para introduzir ar externo na caixa da escada, criando um diferencial de pressão em relação aos ambientes adjacentes.
Essa condição forma uma barreira contra a propagação da fumaça para a rota de fuga.
Durante uma emergência, o sistema é acionado conforme a lógica definida em projeto, normalmente integrado à detecção e ao alarme de incêndio. O conjunto deve fornecer vazão e pressão adequadas aos cenários previstos, inclusive em situações de abertura de portas.
O funcionamento pode ser dividido em quatro etapas principais:
1. Captação do ar externo
O ar é captado externamente por uma tomada posicionada para reduzir a possibilidade de admissão de fumaça ou contaminantes.
Sua localização deve ser analisada em conjunto com arquitetura, fachada e sistemas de exaustão.
2. Insuflamento
O moto-ventilador fornece a energia necessária para vencer as perdas de carga e introduzir o ar na escada.
A seleção do equipamento deve considerar o ponto de operação do sistema, relacionando vazão e pressão estática disponível.
3. Distribuição do ar
O ar é conduzido por dutos e distribuído ao longo da escada por dispositivos de insuflamento.
Essa distribuição deve evitar pressões inadequadas e garantir o funcionamento conforme os parâmetros estabelecidos em projeto.
4. Controle da pressão
O sistema deve controlar a pressão para evitar tanto a insuficiência de pressurização quanto a sobrepressão.
Pressão insuficiente pode comprometer a proteção contra fumaça, enquanto pressão excessiva pode dificultar a abertura das portas corta-fogo e a evacuação.
A configuração pode variar conforme a edificação e o projeto, mas normalmente envolve:
A especificação deve resultar do dimensionamento e das características do empreendimento.
O dimensionamento exige uma análise integrada das características construtivas e das condições previstas de funcionamento.
Entre os principais fatores estão:
Vazão de ar
A vazão necessária depende das características da escada, das condições de operação e dos cenários definidos em projeto.
Pressão estática
O ventilador deve possuir pressão suficiente para vencer as resistências do sistema, incluindo dutos, curvas, derivações, grelhas, dampers, filtros e demais componentes.
Perda de carga
A perda de carga interfere diretamente no ponto de operação do ventilador.
Alterações aparentemente simples, como reduzir a seção de um shaft ou modificar o percurso de um duto, podem aumentar a resistência do sistema e alterar seu funcionamento.
Condições de portas abertas
O projeto deve considerar os cenários exigidos pelos requisitos técnicos e pela configuração da edificação, incluindo as condições de abertura das portas da rota de fuga.
A pressurização precisa ser compatibilizada com as demais disciplinas da edificação.
Arquitetura: definição de shafts, casas de máquinas, tomadas de ar, passagens e espaços técnicos.
Estrutura: previsão de aberturas, suportação dos equipamentos e passagem de dutos.
Elétrica: alimentação, proteção, comandos e infraestrutura dos equipamentos.
Automação e incêndio: integração do acionamento e das condições de funcionamento.
Construção civil: execução de passagens, selagens e adequações necessárias.
Mesmo um sistema corretamente dimensionado pode ter seu desempenho comprometido caso a infraestrutura seja alterada durante a obra sem reavaliação técnica.
A tomada de ar merece atenção especial.
Não basta captar ar externo: é necessário avaliar de onde esse ar está sendo admitido.
A proximidade com exaustões, garagens, áreas de descarga, casas de máquinas, fontes de fumaça ou outras emissões pode comprometer a qualidade do ar utilizado na pressurização.
Por isso, a definição da tomada de ar deve fazer parte do estudo de implantação, considerando a arquitetura e as demais instalações da edificação.
Por se tratar de um sistema associado à segurança contra incêndio, sua infraestrutura elétrica deve atender aos requisitos aplicáveis ao empreendimento.
Quando houver necessidade de funcionamento durante uma interrupção da alimentação normal, deve ser prevista a solução de alimentação de emergência estabelecida em projeto.
A confiabilidade depende de toda a cadeia de operação:
alimentação → comando → acionamento → ventilação → distribuição → controle.
Algumas alterações de obra podem afetar significativamente o desempenho da pressurização, entre elas:
Qualquer alteração relevante deve ser avaliada tecnicamente antes da execução.
O sistema deve atender à legislação e às normas técnicas aplicáveis à edificação e à jurisdição correspondente.
Entre as principais referências está a ABNT NBR 14880, além das normas, instruções técnicas e procedimentos dos respectivos Corpos de Bombeiros.
No Paraná, por exemplo, o Corpo de Bombeiros disponibiliza a NPT 013 – Pressurização de Escada de Segurança.
Os critérios devem sempre ser verificados conforme a edição vigente das normas e as exigências específicas do empreendimento.
O AVCB, Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, certifica que a edificação atende às exigências de segurança contra incêndio e pânico.
Além da regularidade legal, o documento está relacionado à proteção dos ocupantes, ao funcionamento adequado dos sistemas de emergência e ao atendimento das exigências aplicáveis à edificação.
Um sistema de pressurização eficiente precisa ser pensado desde a fase de projeto até sua implantação.
Durante a execução, shafts podem sofrer alterações, passagens podem ser reduzidas, equipamentos podem mudar de posição e outros sistemas podem ocupar espaços originalmente destinados à ventilação.
Por isso, projeto e execução devem ser tratados como etapas tecnicamente conectadas.
A experiência com implantação permite antecipar interferências e buscar soluções que preservem o desempenho originalmente dimensionado.
Para que serve a pressurização de escadas?
Para manter a rota de fuga em pressão positiva em relação às áreas adjacentes, reduzindo a entrada de fumaça durante uma emergência.
O sistema funciona somente com um ventilador?
Não. O desempenho depende do conjunto formado por ventilação, dutos, dispositivos de distribuição, controle, alimentação, automação e demais componentes do projeto.
É necessário dimensionar o sistema?
Sim. A seleção do ventilador deve considerar a vazão necessária e a pressão requerida para vencer as perdas de carga e atender às condições previstas.
Alterar o shaft pode prejudicar a pressurização?
Sim. Reduções de seção ou alterações no percurso podem aumentar as perdas de carga e modificar o funcionamento do sistema.
A tomada de ar externo é importante?
Sim. Sua localização deve evitar a captação de fumaça ou ar inadequado proveniente de outras áreas da edificação.
A Termplan realiza somente o projeto?
Não. A Termplan possui experiência em projetos e implantação de sistemas de ventilação e pressurização, incluindo fabricação de componentes e execução de instalações conforme o escopo contratado.
A Termplan desenvolve soluções de engenharia para sistemas de ventilação e pressurização de acordo com as características de cada empreendimento.
Nossa atuação contempla análise técnica, dimensionamento, definição de componentes, distribuição de ar e compatibilização das soluções necessárias à implantação.
A experiência com fabricação de componentes e execução de instalações também permite avaliar cada solução sob a perspectiva prática da obra, buscando integração entre projeto e implantação.
O resultado é uma solução voltada às condições reais do empreendimento, com foco em desempenho, confiabilidade, segurança e compatibilidade construtiva.
Cada empreendimento possui características próprias de arquitetura, ocupação, infraestrutura e implantação. Por isso, a solução deve partir de uma análise técnica específica, e não da simples reprodução de uma configuração padrão.
A Termplan desenvolve projetos e soluções em ventilação, pressurização e exaustão mecânica, com abordagem integrada entre engenharia, fabricação e instalação.
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